quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

paciência!

se viesse uma coisa
     toda nova,
toda cheirando a chocolate caro, vinho,
toda com sabor de linho,
discente,

se viesse uma coisa estridente
muda, no seu canto,
toda contente,

     se viesse assim, de repente
e sem rima,
mas cheia de valia,

se viesse grande, quase imensamente,
     ou se viesse pequena
mas grande, tão intensamente, se viesse - mesmo que atrasadamente

ou nem viesse, estasse,
assim,
     diferente

     e eu nem quisesse

ou sonhasse,
- se viesse toda direta, breve, uma frase,
uma dissertação inteira
de mais de um milhão de maneiras
     toda implícita

e controversa,
se viesse e fora esta
     uma coisa para a vida toda,
uma sesta,

     um meio-dia entre folhagens,
     um paisagismo aprendiz.

mas não vem, nem assado nem assim.
     e a vida perpetra essa
     espera

mesmo sem mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário